04/05/2020

Três etapas para controlar a Coccidiose

A Coccidiose é uma das causas mais comuns de diarreia em leitões na produção suína em todo o mundo. Sem tratamento, pode afetar seriamente a saúde e o bem-estar dos leitões jovens e devastar a produção.

A Coccidiose é uma doença parasitária. Os coccídios vivem e se multiplicam dentro do revestimento intestinal, destruindo-o e impedindo que o leitão absorva os nutrientes de que precisa. Os animais afetados são frequentemente vulneráveis ​​a infecções por outros enteropatógenos, como Clostridium perfringens tipo A e C e, sem tratamento, podem resultar em diarreia grave e até em morte.

Três etapas para controlar a Coccidiose

Um dos estágios da vida do parasita, chamado oocistos, é eliminado nas fezes dos leitões e pode viver no meio ambiente, esperando para reinfectar uma nova geração de animais. Até algumas décadas atrás, não havia métodos de controle eficazes para combater a Coccidiose. 

Toltrazuril - uma solução em um único tratamento

A introdução do Toltrazuril oferece aos produtores uma solução eficiente em um único tratamento, que pode ser administrado nos primeiros dias de vida de um leitão.

“Quando a aplicação de Toltrazuril é rotineiramente implementada em uma fazenda, a infecção é controlada rapidamente e o estado de saúde dos animais melhora significativamente”, afirma Dra. Anja Joachim, chefe do Instituto de Parasitologia da Universidade de Medicina Veterinária em Viena, na Áustria.

Estudos iniciais também mostraram que o controle eficaz da Coccidiose com a dose apropriada pode reduzir significativamente a necessidade de antibióticos no tratamento de infecções intestinais.

Apesar da disponibilidade de Toltrazuril, a Coccidiose de leitões ainda é comum na suinocultura Brasileira e ao redor do mundo, já que agricultores e veterinários mudaram seu foco para outras doenças e podem ignorar o impacto de coccídios em suínos jovens. Entretanto, o impacto da enfermidade nos leitões jovens e na fazenda não deve ser subestimado. Dra. Joachim apresenta seu processo de três etapas para o controle e tratamento ideais para a doença.

Passo 1: faça um diagnóstico específico

Dra. Joachim aconselha reservar um tempo para diagnosticar os coccídios adequadamente, estabelecendo um protocolo eficaz para a diarreia dos leitões. Determinar a causa possível é vital para que a fazenda possa enfrentá-la imediatamente.

"A diarreia pode se desenvolver a partir de uma variedade de causas", diz. “O painel de diagnóstico deve incluir coccídios. As pessoas geralmente se concentram apenas nas bactérias e vírus , mas os coccídios são muito comuns”.

Ela recomenda coletar duas amostras fecais: a primeira entre o 8º e 12º dia de vida e a segunda uma semana depois, e reunir as amostras. Isso aumenta a probabilidade de encontrar os oocistos, porque eles não são eliminados consistentemente por porcos infectados.

Passo 2: trate leitões na primeira semana de vida

"Classicamente, a Coccidiose ocorre por volta dos 10 dias de idade, portanto, a infecção ocorre cerca de cinco dias antes", alerta Joachim.

Por isso é importante agir em tempo hábil. Dra. Joachim recomenda o tratamento ideal de leitões por volta do terceiro dia de vida, pois tratá-los nessa idade não apenas interrompe a infecção, ajuda a proteger a saúde e o desempenho do leitão, mas também o meio ambiente, impedindo a diarreia e, por sua vez, a eliminação de oocistos.

Ela explica: “Quando oocistos são eliminados por animais infectados e não tratados ocorre a recontaminação do meio ambiente. E isso perpetua o problema porque então a próxima geração [de leitões] pode ser infectada”. 

Passo 3: padrões de higiene ideais

Garantir altos padrões de higiene ambiental e pessoal também é essencial. Os produtores devem limpar completamente as baias de maternidade antes de colocar os animais nelas. Dra. Joachim destaca que os suinocultores devem usar desinfetantes especificamente eficazes contra os coccídios, pois muitos não sabem que, embora seu produto lute contra bactérias, ele pode não ser eficaz contra os coccídios.

Ela acrescenta: “Os produtores devem secar as superfícies antes da desinfecção para que não diluam os produtos em uso e usar o desinfetante na concentração e no tempo recomendados para o controle dos coccídios”.

Dra. Joachim reconhece que é um processo demorado, mas que quando os oocistos são inativados isso resultará em uma melhor recuperação do rebanho infectado.

Estudos mostram que as perdas resultantes de um surto de Coccidiose são estimadas em muito mais altas que o custo do tratamento. A Coccidiose é certamente uma condição que os produtores de suínos não podem se dar ao luxo de ter.