21/04/2020

Suplementação de cálcio endovenoso, subcutâneo ou oral: Qual via de administração devo utilizar nas vacas leiteiras?

Na pecuária leiteira, o período pós-parto apresenta elevados desafios para as vacas devido à alta incidência de doenças.

Uma delas é a hipocalcemia, uma doença metabólica que pode se apresentar de duas formas: clinica ou subclínica.

Geralmente, o produtor usa como ferramenta de tratamento/prevenção a suplementação de cálcio (injetável ou oral) no período pós-parto, que apresenta respostas significativas na recuperação da vaca lactante. Mas vale ressaltar que a utilização de cálcio requer alguns cuidados em relação ao tipo que será utilizado, o momento que for suplementar e a via de administração. 

Segundo OETZEL, 2011, a suplementação de cálcio oral (Calfon® Oral) é a melhor alternativa para prevenir a hipocalcemia subclínica, pois a vaca absorve uma quantidade efetiva de cálcio em 30 minutos após a administração, mantendo a concentração ideal por 8 a 12 horas. (GOFF E HORST,1993, 1994).

Para esses mesmos animais, a utilização de cálcio injetável não é recomendada, pois aumenta rapidamente a concentração da substância no sangue (GOFF,1999). Em doses altas  pode causar complicações cardíacas, além de inativar a habilidade da vaca mobilizar cálcio dos ossos (OETZEL, 2011), o que pode resultar em uma redução drástica na concentração, causando assim um “efeito rebote”.

Vacas com hipocalcemia clínica devem ser tratadas rapidamente, pois o risco de óbito é eminente se o tratamento não for realizado. Nessas situações, o cálcio injetável deve ser administrado por via endovenosa. Além disso, essas vacas devem receber também a suplementação de duas doses de cálcio oral com intervalo de 12 horas entre as aplicações, para assim minimizar os riscos de uma recaída. (OETZEL, 2011, THILSING-HANSEN ET AL 2002)

A administração de cálcio injetável subcutâneo apresenta algumas limitações na resposta ao tratamento. A absorção requer uma perfusão periférica adequada, o que pode se tornar ineficaz se administrado em animais com algum nível de desidratação. Além disso, não é recomendado administrar mais de 75 ml de solução por ponto de aplicação, já que o cálcio injetável provoca irritação, podendo levar a necrose tecidual. (GOFF 1999)

Diante disso, a suplementação de cálcio é uma realidade na pecuária leiteira atual, na qual os cuidados acima relatados devem ser levados em consideração para assim proporcionar melhores resultados e mais saúde para o rebanho leiteiro.

Fonte:

Goff, J. P. 1999. Treatment of calcium, phosphorus, and magnesium balance disorders. Vet. Clin. North Am. Food Anim. Pract. 15:619-639.

Goff, J. P. and R. L. Horst. 1993. Oral administration of calcium salts for treatment of hypocalcemia in cattle. J. Dairy Sci. 76:101-108.

Goff, J. P. and R. L. Horst. 1994. Calcium salts for treating hypocalcemia: carrier effects, acid- base balance, and oral versus rectal administration. J. Dairy Sci. 77:1451-1456.

Oetzel, G. R. 2011. Non-infectious diseases: Milk fever. In Encyclopedia of Dairy Sciences. Vol. 2. F. J. W. Fuquay, P.F, McSweeney, P.L.H. , ed. Academic Press, San Diego.

Thilsing-Hansen, T., R. J. Jørgensen, and S. Østergaard. 2002. Milk fever control principles: a review. Acta Vet. Scand. 43:1-19.