24/06/2019

Por que o manejo sanitário em bovinos não pode ficar de fora do confinamento?

Sanidade representa um dos custos mais baixos e impacta diretamente nos índices produtivos e financeiros desse sistema de produção

O manejo sanitário em confinamento é essencial para a eficiência do sistema de pecuária intensiva. Apesar de a sanidade representar um dos custos mais baixos nesse sistema de terminação de bovinos, a questão não deixa de ser importante, pois impacta diretamente nos índices produtivos e financeiros de um confinamento.

Para instalar um bom controle sanitário dentro de uma planta de confinamento é necessário conhecer quais são os principais agentes causadores de doenças nesse período, o desafio imunitário que esses bovinos serão submetidos e as ferramentas disponíveis para um controle de sucesso. Ter conhecimento dessas questões ajuda o produtor a colocar em prática ações mais assertivas quanto ao controle de doenças e bem-estar animal. Assim, com os bovinos mais saudáveis, será possível alcançar melhores índices produtivos e financeiros ao término do confinamento.

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Como deve ser feito o manejo na pré-entrada do confinamento?
Antes de iniciar o manejo sanitário em confinamento é fundamental monitorar o ganho de peso e a identificação dos animais que entrarão no processo. Dessa forma, será mais fácil criar baias ou grupos homogêneos, o que pode evitar a possibilidade de disputas e/ou sodomia.

Ainda nesse período pré-confinamento, recomenda-se a aplicação da primeira dose da vacina respiratória Bayovac Respiratória RD. Ela é indispensável, pois age contra os principais causadores da pneumonia, doença que, por sua vez, é uma das que mais leva ao uso de medicamentos e uma das maiores responsáveis por mortes em confinamentos. Ela deve ser aplicada 30 dias antes do início do processo. Isso fará com que a imunidade do animal aumente para receber a segunda dose, aplicada no primeiro dia de confinamento. É importante também utilizar o endectocida Trucid, indicado para o tratamento de vermes e/ou parasitas, evitando que estes interfiram no ganho de peso do animal.

Chegou a hora do confinamento: o que fazer?
Chegou o grande momento e toda a atenção é necessária para que o manejo sanitário em confinamento traga resultados satisfatórios. Uma das ações fundamentais é aplicar a segunda dose da vacina respiratória Bayovac Respiratória RD, um reforço contra a pneumonia, além da vacina contra clostridioses (Bayovac Clostridioses). Os bovinos devem ser observados, ainda na entrada, quanto à presença de bernes, moscas, carrapatos e possíveis bicheiras. Se for necessário, deverão ser utilizadas doses de ectoparasiticidas, como Bayofly Pour on, Bayticol Pour on e Tiguvon Spot on. Um vermífugo de amplo espectro como o Trucid também é bem-vindo para que os parasitas não interfiram no ganho de peso. A utilização de suplementos vitamínicos como o Vigantol ADE também auxilia no melhor desenvolvimento dos animais.

A separação dos animais na entrada é feita com brincos numerados, lotes homogêneos e divididos por idade, peso e raça. Por outro lado, os provenientes de outras fazendas ou piquetes têm de ficar juntos no mesmo ambiente. Já os bovinos transportados por longas distâncias ou a pé precisam ficar pelo menos 5 dias em piquetes separados, com água e boa alimentação. Depois desse período, eles devem passar pelo mesmo protocolo de entrada. Assim, é indispensável a aplicação de tônicos como o Catosal B12®, que auxilia na redução do cortisol, hormônio que causa estresse e diminui a imunidade dos animais.

Como colocar em prática o manejo sanitário em confinamento
No período de confinamento é preciso manter-se atento quanto aos manejos sanitários. Os animais estão sujeitos às adversidades daquele ambiente, bem como de disputas territoriais, sodomia, alterações no ambiente e no comportamento. Para evitar contratempos, rondas sanitárias devem ser constantes. São elas que vão ajudar a identificar, por exemplo, animais doentes e evitar que outros sejam contaminados.

Animais identificados com comportamentos anormais devem ser encaminhados para uma avaliação minuciosa. Dessa forma, caso sejam constatadas anormalidades, o animal deve ficar em tratamento, no “curral enfermaria”. Posteriormente, após ser curado, poderá retornar à baia de origem. Nos casos de distúrbios comportamentais, o bovino pode ser transferido para outros grupos. É imprescindível manter bebedouros e cochos limpos para evitar o alastramento de doenças.

Protocolo deve ser seguido mesmo com o término do confinamento
O protocolo sanitário em confinamento deve estar presente até mesmo com o término do período de engorda. Portanto, na hora de embarcar os animais, é preciso agir de forma cautelosa para que não haja acidentes, tampouco cause estresse ao animal. Tudo isso para que seja entregue aos frigoríficos um produto de alta qualidade.

Ter em mente o número exato de bovinos e caminhões disponíveis para o transporte já é um bom começo. Como é um espaço até então desconhecido dos animais, a entrada, tanto no curral quanto nos bretes, deve ser realizada com calma, sem gritos ou pancadas. Apenas um “ponteiro” pode ser utilizado para conduzi-los. O embarque deve ser feito com segurança, com o animal posicionado corretamente e sempre respeitando a capacidade do veículo.

Agora que você já sabe da importância do manejo sanitário em confinamento, não se esqueça de consultar um profissional da área para lhe auxiliar a obter os melhores resultados!

Fonte:

  • COUTINHO, A.S. Mannheimiose Pneumônica Experimentalmente Induzida em Bezerros pela Mannheimia (Pasteurella) Haemolytica A1- Cepa D153: Achados do exame físico, hemograma e swabs nasal e nasofaringeano. 2004. Tese (Doutorado) - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia-Universidade Estado Paulista, Botucatu.
  • GAVA, A. et al. Pasteurelose em bovinos em confinamento. In: Encontro nacional de patologia veterinária, 9. (p. 18). Belo Horizonte. 1999
  • Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF – 10ª edição Janeiro de 2008.
  • RADOSTITS, O. M. et al. Clínica veterinária: Um tratado de doenças dos bovinos, ovinos, suínos, caprinos e equinos. Capítulo 10 - Rio de Janeiro: Guanabara/Koogan, 2002.
  • SMITH, B. Medicina Interna de grandes animais. 602 a 666, 4ª edição. 2010