09/03/2016

China importa ainda mais soja, e Brasil é o favorecido

As importações chinesas nesta safra 2015/16, previstas em 80,5 milhões de toneladas anteriormente, deverão subir para 82 milhões.

O relatório mensal de oferta e demanda de grãos divulgado pelos USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta quarta-feira (9) apresentou poucas mudanças nos dados globais.

 Nas entrelinhas, no entanto, há uma novidade para os produtores brasileiros.

 O USDA prevê que a China, principal importador de soja do mundo, vá comprar ainda mais soja do que o órgão previa.

APETITE MAIOR

 China importa mais soja em grãos do Brasil

E o grande favorecido por esse aumento de compra dos chineses será o Brasil, segundo Daniele Siqueira, analista da AgRural.

 Trocando em números as expectativas do órgão dos Estados Unidos: as importações chinesas nesta safra 2015/16, previstas em 80,5 milhões de toneladas anteriormente, deverão subir para 82 milhões.

 Nesse mesmo período, as exportações totais do Brasil saltam para 58 milhões de toneladas, acima dos 57 milhões previstos anteriormente, segundo o Usda.

 A presença chinesa aumenta cada vez mais no mercado brasileiro, diminuindo a participação no dos Estados Unidos. No ano passado, os chineses compraram 75% da soja exportada pelo Brasil.

 Nos dois primeiros meses deste ano, saiu 1,9 milhão de toneladas de soja em grãos dos portos brasileiros para a China. Esse volume representou 78% do total exportado pelo país no período.

PLANTIO

 As próximas avaliações do USDA, que devem ocorrer no final do mês e relatar dados sobre a área de plantio, são as mais esperadas pelo mercado.

 Os números, embora ainda não sejam os definitivos, começam a dar uma orientação maior para o setor. Com base neles, pode se estimar produção e preços.

 Siqueira diz que tanto soja como milho deverão ter aumento na área plantada. Na avaliação dela, o milho ganha mais espaço do que a soja.

 Analistas agrícolas do banco Itaú acreditam que não haverá redução de área plantada.

 E eles não apostam em uma migração forte dos produtores de milho para a soja na safra 2016/17.

 Na estimativa de relação do rendimento entre a soja e o milho, o cenário é menos favorável para a oleaginosa.

 O ICR (índice de Commodities do Itaú) estima uma queda média de 5% nos preços agrícolas neste ano, após recuo de 16% em 2015.

 Em 2017, os preços médios do setor voltam a subir, com evolução de 3%.

 Neste ano, o valor médio da soja deverá ficar em US$ 8,7 por bushel (27,2 quilos). Já o milho recua para US$ 3,65 por bushel (25,4 quilos).

Pirataria

 O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento passou a fazer parte do CNCP (Conselho Nacional de Combate à Pirataria), comandado pelo Ministério da Justiça.

Mais ações

 O mercado espera que, com a entrada e a participação da Agricultura no CNCP, sejam viabilizadas mais ações e medidas de repressão contra produtos de uso veterinário falsos.

Impacto

 Sem registro, os produtos pirateados preocupam não só pelo impacto econômico e de concorrência desleal em relação aos idôneos como pelos perigos que trazem à saúde pública, segundo avaliações do mercado.  

Fonte: Folha de S. Paulo