16/09/2019

Carrapatos em bovinos: tem como controlar?

O Consultor Técnico da Bayer fala sobre a importância do controle de carrapatos em bovinos.

Parasitas são responsáveis por causarem danos imensuráveis à pecuária

CarrapatoOs carrapatos em bovinos são responsáveis por grandes prejuízos à pecuária nacional. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento revelam que as perdas anuais por conta das infestações chegam a US$ 2 bilhões. Esses parasitas, da espécie Rhipicephalus (boophilus) microplus, são grandes transmissores de doenças e podem causar danos diretos e indiretos aos bovinos.

Os carrapatos costumam ser um problema maior quando a temperatura média está acima de 27ºC e com alta umidade do ar. Essas condições ambientais, que misturam chuva e calor, facilitam a eclosão de larvas provenientes dos ovos colocados nas pastagens.

Para o médico-veterinário da Bayer Saúde Animal, Caio Henrique Favaro Borges, além do clima brasileiro, outro fator dificulta o controle de carrapatos nas fazendas. “Há uma falta de implantação e acompanhamento de um protocolo estratégico dentro das propriedades, o que leva ao uso indiscriminado de várias moléculas”, explica. “Isso faz com que o controle seja cada vez mais difícil, pois seleciona-se parasitas resistentes às soluções disponíveis no mercado veterinário”, complementa.

Continue lendo o texto e confira como é possível controlar as infestações na sua propriedade. 

Como são transmitidas as doenças e quais são os sintomas?

Os carrapatos em bovinos são considerados vetores na transmissão de doenças como a Tristeza Parasitária Bovina (TPB), causada pelos agentes Anaplasma spp. e pelo protozoário Babesia spp.

A transmissão da doença ocorre após o carrapato sugar o sangue de um animal infectado, tornando-se também infectado. Assim, ao parasitar outro bovino e se alimentar, ele transmite o hemoparasita, espécie que infecta as células na corrente sanguínea dos animais.

Quando infectado, o gado costuma apresentar sintomas como febre, apatia, prostração, anemia, icterícia, edema ventral e de barbela, hemoglobinúria (urina escura) e perda de apetite. Pode haver ainda redução na produtividade leiteira, retardo no ganho de peso, danos ao couro e prejuízos com a morte de animais acometidos pela tristeza parasitaria.

É possível combater os carrapatos em bovinos?

Muita gente ainda tem dúvidas, mas a resposta é SIM! A melhor forma de controle do carrapato é elaborar um protocolo de controle estratégico para a propriedade. Contudo, para a elaboração de uma solução eficaz, é preciso avaliar o nível de infestação da propriedade, bem como a estrutura disponível para manejo. É fundamental considerar também a época do ano e o histórico de ações já aplicadas, assim como o seu retorno.

Nos casos com histórico de resistência a diversos princípios ativos, é sempre bom contar com informações oferecidas pelo exame biocarrapaticidograma. Na ocasião, são coletados os carrapatos dos animais da propriedade e enviados ao laboratório para avaliação da sensibilidade dos parasitas diante dos princípios ativos disponíveis no mercado.

 Meu gado está infestado por carrapatos: o que fazer?

Se você chegou a este ponto, é preciso agir! Antes de iniciar um tratamento eficaz contra carrapatos em bovinos, avalie primeiro se a propriedade é voltada a criação de gado leiteiro ou de corte. É importante analisar também a classe dos animais que será submetida ao tratamento - bezerros (as), novilhos (as) ou adultos -, o nível da infestação, os produtos que já estão sendo utilizados e a época em que será feito o tratamento.

Com essa análise, no caso de bovinos que não estejam produzindo leite para consumo humano, uma boa estratégia é associar o Trucid®, que, além de agir como auxiliar no controle do carrapato, também tem ação em vermes intestinais, bernes e bicheiras, com o Bayticol® Pour on, uma solução à base de flumetrina, que inibe a postura de ovos do carrapato. Essa solução, além de combater os parasitos adultos, ajuda a reduzir o nível de contaminação nas pastagens.

Já nas vacas que produzem leite para o consumo humano, deve ser utilizado o Bayticol® Pour On junto ao Neguvon® + Asuntol® Plus. Esse protocolo estratégico permite associação de três princípios ativos destinados para pulverização dos animais, com carência de 10 horas para leite.

Para se obter um bom resultado, o controle deve ser feito com um carrapaticida que ofereça mais de 90% de eficácia e ser iniciado na primavera, com aplicações em intervalos de 21 dias. Utilize ainda os acaricidas nas concentrações indicadas pelo fabricante em dias secos, para que a chuva não lave o medicamento.

Agora que você já sabe dos prejuízos que os carrapatos podem causar no rebanho e como combatê-los, não se esqueça de pedir auxílio de um médico-veterinário. Somente ele poderá desenvolver um protocolo eficiente e que supra as necessidades especificas de sua propriedade.

Referências:

http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/divulga/GCD10.html - consultado em setembro/14

GONCALVES, Patrícia Macêdo. Epidemiologia e controle da tristeza parasitária bovina na região sudeste do Brasil. Cienc. Rural, Santa Maria , v. 30, n. 1, Mar. 2000 .

Blood, D.C. e Rodostits O.M.. 1991. Clínica Veterinária. Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, RJ

Pereira, M.C.; Labruna, M.B.; Szabó, M.P.J.; Klafke, G.M. Rhipcephalus (Boophilus) microplus: biologia, controle e resistência. 1a edição. São Paulo: MedVet Livros, 2008. 169p.

Battesti, D.M. B; Arzua, M.; Behcara, G.H. Carrapatos de importância médico-veterinária da região neotropical: um guia ilustrado para identificação de espécies. São Paulo: Vox/ICTTD-3/Butantan, 2006. 223p.

GRISI, Laerte et al . Reassessment of the potential economic impact of cattle parasites in Brazil. Rev. Bras. Parasitol. Vet., Jaboticabal , v. 23, n. 2, p. 150-156, June 2014

L.BR.MKT.AH.2019-09-04.0715

Fonte: Entrevistra com o médico-veterinário Caio Henrique Favaro Borges