Mastite Contagiosa

Introdução:

Caracteriza-se por alterações físicas, químicas e na maior parte das vezes microbiológicas do leite e por alterações patológicas do tecido glandular.
A mastite por patógenos contagiosos é marcada pelo aumento significativo dos valores de CCS (Contagem de Células Somáticas) do tanque de leite, podendo se manifestar na forma clínica (com sinais aparentes) ou na maioria das vezes na forma subclínica (sem sinais aparentes). É uma das doenças mais complexas e que acarreta as maiores perdas econômicas à pecuária leiteira, abrangendo de 17 a 18% das causas de descarte de fêmeas bovinas leiteiras adultas (Silva et al.).

Etiologia:

As principais bactérias envolvidas nos casos de Mastites Contagiosas são os Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus, Mycoplasma spp e Corynebacterium bovis.

Patogenia:

O desenvolvimento do quadro ocorre com a transferência de bactérias de uma glândula mamária infectada para uma sadia, ou seja, os quartos da glândula atuam como reservatório primário. A transmissão é de vaca para vaca e geralmente ocorre durante o momento da ordenha por meio de equipamento de ordenha contaminado, mãos dos ordenhadores ou por meio de toalhas de limpeza e secagem de tetos.

Diagnóstico:

Um monitoramento muito útil para o diagnóstico das diferentes formas da mastite clínica é o exame macroscópico do leite. A análise macroscópica do leite é feita com o auxílio de uma caneca de fundo preto que permite a detecção de descoloração, presença de coágulos, flocos e pus no leite. Esse teste é feito usando os primeiros jatos de leite dos tetos. Além da cor, aspecto e consistência, também podem ser avaliados o sabor (amargo ou salgado em casos de inflamação) e ainda, o odor. O método diagnóstico mais significativo para detectar a mastite subclínica no rebanho é a contagem de células somáticas (CCS) do leite, sendo também uma das medidas de qualidade do leite e sanidade do rebanho.

Prevenção/Controle

Métodos recomendados para o controle da mastite contagiosa:

  1. Rotina higiênica de ordenha focando a desinfecção dos tetos após a ordenha (pós-dipping);
  2. Funcionamento adequado do equipamento de ordenha;
  3. Tratamento de vaca seca em todos os quartos mamários;
  4. Segregação e/ou linha de ordenha;
  5. Tratamento de casos clínicos e alguns subclínicos;
  6. Descarte de animais com infecções crônicas;
  7. Melhoria do “status” imunológico dos animais via redução de stress, suplementação adequada de vitaminas e minerais, ou mesmo vacinações.

Tratamento

Para aumentarmos as chances de cura e definirmos os protocolos terapêuticos, é sempre recomendável a determinação de qual é a bactéria causadora da mastite. Isto é importante, pois alguns agentes possuem uma taxa de cura muito pequena quando as vacas estão em lactação, porém, esta taxa aumenta significativamente quando realizamos o tratamento de vaca seca (Bovigam® VS), isto ocorre, por exemplo, nos casos de mastites causadas por Staphylococcus aureus e Corynebacterium bovis.
Para os casos em que o agente causador é o Streptococcus agalactiae antibióticos beta-lactâmicos são amplamente indicados, possuindo excelentes resultados, exemplos de antibióticos intramamários são o Bovigam® L e Supronal® L, e de antibióticos injetáveis o Kinetomax® e a Bactrosina®. As associações entre antibióticos intramamários e injetáveis, assim como o número de aplicações devem ser definidas por um médico veterinário.

Fontes:

  • Blood, D.C. e Rodostits O.M. 2002. Clínica Veterinária. 9ª Edição. Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, RJ.
  • Smith P. B. 2010. Medicina Interna de Grandes Animais. 4ª Edição. Editora Elsevier, Barcelona, Espanha.
  • Aiello S. E. 2001. Manual Merck de Veterinária. 8ª Edição. Editora Roca LTDA, São Paulo, SP.
  • Philpot W.N. e Nickerson S.C. 2002. Vencendo a Luta Contra a Mastite. Westfalia Surge Inc. São Paulo, SP.
  • Blowey R. e Edmondson P. 2010. Mastitis Control in Dairy Herds. 2ª Edição. Cab International, Oxfordshire, United Kingdon.

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