Hipocalcemia

Introdução:

A hipocalcemia é uma doença metabólica que está associada com o parto e o início da lactação em vacas leiteiras e é caracterizada pelo rápido declínio das concentrações de cálcio no sangue. Comumente conhecida como hipocalcemia pós-parto, paresia puerperal, febre vitular ou febre do leite. A deficiência de cálcio pode causar progressiva disfunção neuromuscular como paralisia flácida, colapso circulatório e depressão da consciência.

Etiologia:

O mais comum é o quadro clínico ocorrer em vacas de segundo a quinto parto, geralmente nas primeiras 72 horas pós-parto. A causa da hipocalcemia é complexa, porém de forma resumida se deve a uma falha nos níveis de cálcio do sangue no início da lactação. No desencadeamento da doença estão envolvidos o estresse do parto e a mudança na alimentação, bem como início da produção de leite. Para exemplificar, uma vaca produzindo 10 litros de colostro por dia excreta em torno de 23 gramas de cálcio, o que representa nove vezes a quantidade de cálcio presente no plasma sanguíneo. Esta mudança abrupta nas necessidades de cálcio faz com que o organismo tente disponibilizar cálcio de outras fontes como ossos e reabsorção intestinal. Porém, cerca de 5 a 20% das vacas não conseguem disponibilizar esse cálcio e caem após o parto. As hipocalcemias subclínicas (as quais as vacas não caem) são muito importantes, segundo alguns estudos estão presentes em 50 a 70% das vacas em pós-parto.

A hipocalcemia geralmente cursa com hipofosfatemia (baixo nível de fósforo) e hipomagnesemia (baixo nível de magnésio). Se o quadro se mantiver por 48 horas ou mais, o prognóstico é desfavorável devido ao maciço dano muscular.

Sinais Clínicos:

O diagnóstico está baseado nos sinais clínicos pós-parto, que podem ser: excitação e tetania, tremor muscular da cabeça e membros, o animal reluta em alimentar-se, decúbito esternal prolongado, aparência sonolenta e a cabeça virada para o flanco. O focinho fica seco, as extremidades frias, a temperatura corporal diminuída e pulso fraco.

Estes sinais associados a uma boa anamnese de parto, nível de produção de leite, idade do animal e os níveis séricos de cálcio são parâmetros que nos levam a um preciso diagnóstico.

Prevenção/Controle

A prevenção da hipocalcemia tanto na forma clinica quanto subclínica pode ser realizada desde a utilização de dietas aniônicas (que visam reduzir o pH urinário entre outros), suplementação de vitamina D injetável e administração de cálcio de longa ação após o parto. A implementação de dietas aniônicas é um manejo bastante trabalhoso e requer instalações (piquetes próprios), além de um grande controle nutricional. A vitamina D injetável não é encontrada no mercado brasileiro em concentrações satisfatórias para controlar esta doença.

Uma ferramenta muito pratica e eficiente é a administração de formiato de cálcio (Calfon® Oral).

Tratamento

O tratamento eficaz para a hipocalcemia é a administração de gluconato de cálcio (Calfon®) endovenosa na dose de 2 gramas de cálcio/100kg peso vivo (em torno de 500ml de cálcio injetável). Esta aplicação deve transcorrer em torno em de 12 a 15 minutos. Em casos prolongados de hipocalcemia deve-se utilizar suplementos energéticos (Catosal® B12) a fim de neutralizar a necrose muscular e compensar as necessidades metabólicas.

Em torno de 75 a 85% dos casos de febre do leite respondem ao tratamento tradicional, porém 15 a 25% das vacas podem não responder ou complicar-se com outras condições. Alguns autores relatam que até 25 a 40% das vacas leiteiras que respondem favoravelmente a terapia endovenosa poderão apresentar recidivas dentro de 12 a 48 horas. Para reduzir o risco de recidivas pode-se administrar cálcio via oral (Calfon® Oral) logo após a aplicação de cálcio endovenoso.

Fontes:

  • Blood, D.C. e Rodostits O.M. 2002. Clínica Veterinária. 9ª Edição. Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, RJ.
  • Smith P. B. 2010. Medicina Interna de Grandes Animais. 4ª Edição. Editora Elsevier, Barcelona, Espanha.
  • Aiello S. E. 2001. Manual Merck de Veterinária. 8ª Edição. Editora Roca LTDA, São Paulo, SP.
  • Corrêa M. N.; González F.H.D.; Silva S.C. 2010.Transtornos Metabólicos Nos Animais Domésticos. Editora e Gráfica Universitária UFPEL, Pelotas, RS.

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