Doença digital bovina (DDB)

Introdução:

As doenças digitais em bovinos apresentam grande variação clínica e resultam em inúmeros prejuízos aos criatórios, atribuído principalmente ao descarte prematuro, diminuição da produção de leite, perda de peso, redução da fertilidade e aos altos custos dos tratamentos.

A prevalência dessa afecção é muito superior em rebanhos leiteiros, quando comparado com rebanhos de corte, criado a pasto, evidenciando assim, que o manejo intensivo (dietas ricas em carboidratos, falta de apara dos cascos e pisos úmidos e ásperos) é o principal ponto associado ao surgimento da DDB. Todavia, há também a influência de fatores genéticos no surgimento dessa afecção.

Uma fêmea bovina portadora de doença nas úngulas pode ter uma perda, por lactação, entre 5% e 20% na produção leiteira, e de até 25% no peso da carcaça. Além das perdas relacionadas ao escore corporal, ocorre interferência sobre o desempenho reprodutivo.

Etiologia:

Independente da etiologia é inevitável que haja a contaminação bacteriana da lesão, especialmente pela Fusobacterium necrophorus e Dichelobacter nodosus, podendo aumentar a severidade do quadro por miíases e, caso não seja feito um tratamento adequado, leva a uma infecção e inflamação generalizada do dígito, resultando em pododermatite séptica ou pododermatite necrótica.

Tem-se observado um aumento da incidência dessas doenças nas épocas chuvosas ou, quando há muita umidade nos locais de permanência dos animais.

Sinais Clínicos:

Os sinais clínicos inespecíficos da dermatite digital compreendem:

  • Claudicação de intensidade variada;
  • Relutância em se locomover;
  • Postura de falsa xifose para distribuir o peso do corpo à posição mais confortável.

Marcha em passadas curtas caracterizaram a lesão na fase inicial da doença como uma inflamação interdigital altamente infecciosa, seguida por ulceração na epiderme. Evoluindo para dermatite digital na forma erosiva.

A lesão pode invadir os bulbos dos talões, danificando também a camada córnea desse local e dando origem à erosão do talão.

Diagnóstico:

Esta enfermidade é reconhecida quando o animal apresenta alguma alteração no casco, portanto a inspeção constante no casco é fundamental para o diagnóstico.

  • Dermatites Digitais e Interdigitais - Aparecem entre as unhas, por cima dos talões. São lesões altamente dolorosas.
  • Flegmão Interdigital - Há uma inflamação rápida de toda pele entre os dedos, temperatura elevada, queda de produção e dor intensa. Depois de um ou dois dias, a pele começa a necrosar e gerando um odor extremamente pútrido, formando-se uma fenda profunda entre os dígitos, no local da pele necrosada.
  • Inflamação da Terceira Falange - Causa claudicação mais séria. Aparece uma inflamação rosada por cima da fenda entre as unhas, ou descarga purulenta.
  • Laminites Clínicas e Subclínicas

Todas as principais doenças descritas são de origem infecciosa e têm como agente um germe ambiental, que é um oportunista e se aproveita de uma lesão mínima da pele para se multiplicar e causar alteração do animal.

A partir dessa multiplicação aumentada, há uma maior contaminação do meio ambiente que aumenta o número de animais doentes se medidas drásticas não forem tomadas imediatamente.
Abaixo do tecido córneo (dentro do casco) existe uma completa rede de vasos sanguíneos que podem sofrer danos sérios.
Há extravasamento de líquido dos vasos sanguíneos (há uma inflamação na região) e a parte mole do casco aumenta de volume, causando muita dor e desconforto para o animal.
As laminites podem ocorrer devido a níveis elevados de carboidratos, consumo indevido de grãos, baixo nível de fibras nos alimentos, estresse, permanência prolongada em pé no concreto, higiene deficiente, umidade, abrigos defeituosos e falta de conforto para os pés.

Prevenção/Controle

Deve-se evitar a introdução de animais com problemas nos cascos ou provenientes de rebanhos com histórico de pododermatite. Construir pedilúvios nas entradas e saídas das instalações. Manter sempre os pedilúvios abastecidos com soluções antissépticas. Evitar o acesso e permanência dos animais em pastos e instalações excessivamente úmidas.

Tratamento

O tratamento baseia-se na limpeza e higienização diária dos cascos afetados e utilização de antibióticos sistêmicos e/ou locais. O uso de pedilúvio com soluções antissépticas deve ser utilizado, principalmente, quando ocorre um grande número de animais acometidos. Os animais doentes devem ser isolados em locais secos e tratados para evitar a disseminação da doença no rebanho. O tratamento deve, se possível, ser realizado no estágio inicial da doença para evitar a cronicidade das lesões. Nos animais criados extensivamente, deve-se fazer o casqueamento, duas vezes ao ano, no início ou final da época seca como medida profilática.

Nos animais estabulados, essa medida deve ser realizada sempre que houver necessidade.

Fontes:

  • LEÃO, M. A. et al. – Dermatite digital bovina: aspectos relacionados à evolução clínica
  • BLOWEY, R. W. Common disease of the foot: cattle lameness and hoof care. Ipswitch: FarmingImpress, 1993.
  • NICOLETTI, J. L. M. Manual de podologia bovina. Barueri: Manole, 2004.
  • Braz. J. vet. Res. anim. Sci., São Paulo, v. 43, n. 5, p. 674-680, 2006

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