Desidratação

Introdução:

A desidratação ocorre quando a perda de líquido é maior do que a sua absorção, o que resulta em diminuição do volume circulante e da água nos tecidos. Na maioria das vezes, o desequilíbrio hídrico do animal vem acompanhado pelo eletrolítico (desvio na concentração de íons entre membranas do corpo) e/ou desequilíbrio do ácido básico (desvio no pH), sendo muitas vezes um causador de outro.
Todas estas situações são consideradas graves, pois tanto a água quanto os íons, substâncias ácidas e básicas, participam de diversas reações químicas no animal e devem ser tratadas imediatamente.
Além do risco de morte do animal, o tratamento deve objetivar reduzir possíveis prejuízos com a diminuição da produção de leite e ganho de peso do mesmo.

Etiologia:

A desidratação é causada pelo consumo insuficiente de água ou pela sua perda excessiva. O consumo insuficiente é mais comumente relacionado à privação de água, ausência de sede (devido à toxemia) ou outro fator que impossibilite a sua ingestão (obstrução esofágica).
A causa mais comum da desidratação é a perda excessiva de líquidos devido à diarreia, mas também pode ser causada por vômitos, poliúria, perda de sangue ocasionada por ferimento ou perda por sudorese excessiva.

Patogenia:

Durante a desidratação ocorre uma diminuição dos níveis teciduais de líquido, interferindo no metabolismo.
A diminuição dos níveis teciduais ocorre como uma tentativa de manter o volume circulante e a eficiência do sistema circulatório.
Em um segundo estágio, a perda de líquidos diminui o volume sanguíneo, aumentando a viscosidade do sangue, causando insuficiência circulatória periférica.
Dependendo da idade e do estado do animal, a desidratação pode rapidamente levar o animal à morte.

Diagnóstico:

Existem diversas maneiras de avaliar o grau de desidratação de um animal. Apesar de métodos como hematócrito e outros exames de sangue serem os mais acurados para determinar o grau de desidratação, métodos visuais que podem ser realizados a campo são os mais indicados, devido a praticidade e situação emergencial.
Alguns indícios podem ajudar a identificar um animal desidratado, como ressecamento de mucosas, enrugamento da pele e afundamento do globo ocular, apatia e decúbito esternal.
A pele da pálpebra e a pele do pescoço oferecem um dos melhores indícios de desidratação. Por meio de uma beliscada em uma das dobras e a observação do tempo em que a mesma se mantém elevada, pode-se indicar o grau de desidratação do animal (Quadro 1).

Perda Ponderal de líquidos(%) Olhos retraídos Prega Cutânea persiste por (seg) Hematócrito (%)
4-6 Pouco detectáveis - 40-45
6-8 ++ 2-4 50
8-10 +++ 6-10 55
10-12 ++++ 20-45 60

Prevenção/Controle

Para prevenir a desidratação é necessário avaliar quais as suas causas e tomar as medidas necessárias.
Algumas medidas devem ser tomadas em todas as propriedades, independente da incidência de animais desidratados. São elas:

  • Fornecer água de qualidade à vontade;
  • Colocar bebedouro em local de fácil acesso aos animais e protegido do sol (se possível);

Tratamento

Para melhores resultados no tratamento o diagnóstico precoce é muito importante, devendo-se levar em consideração o grau de desidratação do animal e seu peso corpóreo. A reidratação pode ser realizada por via oral ou parenteral.
O volume de líquido necessário para repor o déficit de volume deve seguir o quadro abaixo (Quadro 2):

Quadro 2 – Perda Ponderal de Líquidos e Volume necessário para repor o déficit de volume corpóreo

Perda Ponderal de líquido (%) Líquido necessário para repor o déficit de volume (ml/kg de peso corpóreo)
4-6 20-25
6-8 30-50
8-10 50-80
10-12 80-120

No caso de bezerros desidratados, a reidratação deve ser combatida utilizando o Glutellac®.

Fontes:

  • Site (consultado em setembro/14): www.evz.ufg.br/
  • Blood, D.C. e Rodostits O.M.. 1991. Clinica Veterinária. Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, RJ.
  • Facury Filho, E. J.; Carvalho, A. U.; Ferreira, P.M. Fluidoterapia em bovinos.

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