Cetose

Introdução:

A cetose é uma doença metabólica das vacas leiteiras, caracterizada por perda de peso, inapetência, diminuição da produção láctea e anormalidades neurológicas que geralmente ocorrem durante as três primeiras semanas de lactação.

A doença ocorre comumente em rebanhos que são alimentados visando uma alta produção. Além da queda na produção, a cetose pode desencadear outros processos patológicos como retenção de placenta, metrite, mastite, deslocamento de abomaso, doença do fígado gorduroso, estresses e falhas no manejo.

Etiologia:

A maior ocorrência de cetose nos bovinos é durante o período de transição em vacas leiteiras, isto é, entre as últimas semanas de gestação e as primeiras semanas de lactação. Isto porque nesse período há um aumento significativo na demanda por energia, associada a queda na ingestão de matéria seca, o que favorece o balanço energético negativo.

Em situação crônica de falta de substrato energético, o organismo utiliza a oxidação dos ácidos graxos como fonte para suprir as demandas de energia, sobrecarregando o tecido hepático. O aumento da oxidação dos ácidos graxos no fígado resulta em corpos cetônicos que são liberados na corrente sanguínea e que, em excesso nos tecidos, trazem danos à saúde do animal.

Sinais Clínicos:

Os sinais iniciais incluem ligeira queda no consumo alimentar e na produção láctea, além de letargia e fezes firmes recobertas por muco. À medida que a doença progride, ocorre perda de peso acentuada em poucos dias, a vaca fica em pé com a postura arqueada, podendo haver odor de acetona no hálito, urina ou leite. Embora a maioria dos animais apresente seu comportamento letárgico, alguns podem demonstrar-se agitados e agressivos. As vacas podem lamber compulsivamente metais, comedouros ou a si mesmas. A marcha pode ficar anormal, com cambaleios, caminhando em círculos e ocasionalmente acometida por quedas.

Diagnóstico:

É extremamente importante obter uma anamnese completa, devendo atentar-se para a duração e nutrição no período seco, produção diária, escore corporal. Um tratador cuidadoso consegue facilmente detectar mudanças no odor de hálito e urina.

Exames sanguíneos realizados por meio de equipamentos específicos podem mensurar os níveis de beta-hidroxibutirato no sangue, o que indica presença de corpos cetônicos fora dos parâmetros normais.

Prevenção/Controle

Devido as perdas econômicas ocasionadas pela cetose subclínica, é ideal detectar e tratar vacas que possuem níveis de beta-hidroxibutirado sérico aumentados. Estes testes podem ser realizados a campo com auxílio de equipamentos específicos.

A prevenção dessa doença deve ser focada no manejo adequado da dieta no período seco e de transição dessas vacas. Uma das formas utilizadas como prevenção para o período inicial de lactação é o fornecimento com maior frequência de uma dieta concentrada e o uso de aditivos, como propileno-glicol e o propionato de sódio, considerados uma fonte energética para essa fase lactacional.

Uma das possibilidades de prevenção de quadros de cetose clínica e também subclínica é o uso do Butafosfan (Catosal® B12) que é um fósforo orgânico injetável. Catosal® B12 diminui os níveis de beta-hidroxibutirato após o parto; prevenindo a cetose e suas consequências negativas.

Tratamento

Geralmente é sintomático, visando reverter o quadro hipoglicêmico com elevada administração de glicose via endovenosa, renovação do fluido ruminal e tranquilizantes em casos de excitação. Também podemos utilizar corticosteroides para manter a glicemia por mais tempo (8-10 horas), pois o tratamento endovenoso com a mesma é mantido por apenas 2-3horas.

O fornecimento de fósforo orgânico (Catosal® B12) também é uma opção, pois aumentará a ingestão de matéria seca, por diminuir os níveis de beta-hidroxibutirato favorecendo assim, a reversão do quadro clínico de cetose.

Fontes:

  • Blood, D.C. e Rodostits O.M. 2002. Clinica Veterinária. 9ª Edição. Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, RJ.
  • Smith P. B. 2010. Medicina Interna de Grandes Animais. 4ª Edição. Editora Elsevier, Barcelona, Espanha.
  • Aiello S. E. 2001. Manual Merck de Veterinária. 8ª Edição. Editora Roca LTDA, São Paulo, SP.
  • Corrêa M. N.; González F.H.D.; Silva S.C. 2010.Transtornos Metabólicos Nos Animais Domésticos. Editora e Gráfica Universitária UFPEL, Pelotas, RS.

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