Carrapatos

Introdução:

O Rhipicephalus (Boophilus) microplus é conhecido como o carrapato dos bovinos e está presente em todos os Estados do Brasil. O hospedeiro principal deste carrapato é o bovino e causa grandes perdas econômicas. Os prejuízos causados por este ectoparasita estão associados à perda de peso, baixa conversão alimentar, redução na produção de leite, perdas na qualidade do couro, toxicoses, lesões de pele que favorecem à ocorrência de miíases, anemia e transmissão de agentes patógenos que provocam graves enfermidades, como a babesiose e a anaplasmose.

Epidemiologia:

A epidemiologia do carrapato pode ser dividida em: Agente, hospedeiro e ambiente.

Fases de vida do Agente (Carrapato):

  • Fase parasitária: Corresponde ao estádio que se passa sobre o hospedeiro e que tem uma duração relativamente constante (em média 21 dias). Ela tem início quando ocorre a fixação dos carrapatos no bovino e término quando as fêmeas ingurgitadas (teleógenas) caem do bovino no solo. No caso dos machos, eles não se ingurgitam como as fêmeas, e podem permanecer no corpo dos bovinos por até 50 dias, fecundando várias fêmeas neste período. Assim que as fêmeas ingurgitadas caem no solo, elas imediatamente procuram um local protegido de raios solares, e que tenha um microclima com temperatura e umidade relativa favorável. Estes locais são geralmente no solo embaixo de touceiras e estolões de capins.
  • Fase não parasitária: É a fase que se passa no ambiente e a sua duração irá depender de fatores como a temperatura e umidade relativa. Começa com a fêmea fecundada e ingurgitada desprendida do hospedeiro, caindo no solo para realizar a oviposição. Esta fase do ciclo é a que possui a maior variação de duração, podendo ser de 36 a 453 dias.

Ciclo evolutivo do R. (B.) microplus

Ciclo de vida do Rhipicephalus microplus

Considera-se que apenas 5% da população de carrapatos estejam sobre os bovinos. Os outros 95% estão no ambiente, tanto na forma de larva infestantes e ovos (maioria), Isso prediz que os programas de controle estratégicos contra o R. (B.) microplus devem ser contínuos e com resultados a longo prazo.

Distribuição populacional de R. (B.) microplus

Distribuição populacional de R. (B.) microplus Fonte: Adaptado de Pereira, 2008

Combate de Carrapatos

Tratamento com carrapaticidas

O controle do R. (B.) microplus no Brasil é realizado principalmente na fase parasitária, através do emprego de diversos grupos químicos e o uso de carrapaticidas é a principal medida para o combate do carrapato. Porém, o uso indiscriminado e a má utilização dos carrapaticidas vêm acarretando sérios problemas de resistência, além de implicações na poluição do solo, resíduos do produto no leite, carne e contaminação do homem. Portanto, além da escolha da droga a ser utilizada, é necessário atentar-se aos conhecimentos adquiridos na epidemiologia e ecologia do carrapato, a fim de planejar um programa de controle efetivo.

Os tratamentos podem ser distinguidos em dois tipos: Tratamento curativo e tratamento racional.

Tratamento curativo

Essa forma de tratamento se baseia na aplicação de carrapaticidas após a constatação de carrapatos no animal. Este tipo de tratamento é o mais utilizado no Brasil, porém é o menos eficaz podendo acelerar o aparecimento de resistência.

O produtor que realiza o tratamento apenas com o objetivo de “curar” os animais geralmente não tem conhecimento da epidemiologia e de quais são as características do ciclo do carrapato.

A grande problemática associada ao uso do tratamento curativo é que por serem implantados sem um planejamento prévio, ocorre a aceleração do desenvolvimento de resistência do R. (B.) microplus.

Neste tipo de controle o pecuarista nota que conforme o maior tempo de uso do medicamento ocorre uma perda de eficácia na eliminação do ectoparasita.

Tratamento racional (Controle estratégico de carrapatos)

Este controle é baseado no conhecimento do ciclo do carrapato, com o objetivo de diminuir a população de carrapatos nos bovinos e na pastagem.

O controle estratégico consiste na concentração dos tratamentos em determinadas épocas do ano.

Este programa de controle quando realizado corretamente diminui a quantidade de tratamentos e, consequentemente, reduz tanto os gastos com carrapaticidas quanto a probabilidade do estabelecimento da resistência.

Como elaborar um tratamento racional:

Deve-se adotar o controle estratégico em todos animais, ou por lotes de animais, que necessariamente permanecerão na mesma pastagem durante todo tratamento.

Elaborar uma estratégia implica fazer um diagnóstico de situação e avaliar aspectos como nível tecnológico, tamanho de rebanho, modelo de produção, sistema de pastoreio, taxas de lotação, composição racial, clima e qualidade da pastagem. São fatores que interferem na forma como a população do carrapato se comporta e na definição das ações.

Por definição, o controle estratégico consiste em realizar tratamentos em intervalos regulares, por um período próximo ao tempo máximo de sobrevivência dos carrapatos que estão no ambiente o que, a rigor, pode ser feito em qualquer época do ano levando em conta a infestação da pastagem e dos animais. Os tratamentos realizados fora do período previamente determinado são chamados de táticos. O período de quatro meses tem sido recomendado na maior parte das propostas.

Tratamento tático: Este Tratamento é aplicado dentro de um controle estratégico com vigilância constante sobre o nível de infestação, sendo administrado quando necessário. Os animais de compra e os animais mais susceptíveis à carrapatos, chamados popularmente de “animais de sangue doce” devem ser tratados taticamente.

Fontes:

  • Pereira, M.C.; Labruna, M.B.; Szabó, M.P.J.; Klafke, G.M. Rhipcephalus (Boophilus) microplus: biologia, controle e resistência. 1a edição. São Paulo: MedVet Livros, 2008. 169p.
  • Battesti, D.M. B; Arzua, M.; Behcara, G.H. Carrapatos de importância médico-veterinária da região neotropical: um guia ilustrado para identificação de espécies. São Paulo: Vox/ICTTD-3/Butantan, 2006. 223p.

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