Doença respiratória Bovina (DRB)

Introdução:

O complexo das doenças respiratórias dos bovinos é o resultado de uma ruptura do equilíbrio entre as defesas naturais do animal e os fatores externos que favorecem a doença. Este desequilíbrio aparece mais frequentemente no animal que é incapaz de superar uma modificação do seu ambiente ou de se adaptar. O estresse interfere nos mecanismos de limpeza e de defesa do aparelho respiratório, favorecendo a proliferação de microorganismos e a produção de toxinas.
Dentre os diversos fatores responsáveis pela baixa produtividade do rebanho bovino, as doenças respiratórias se encontram em situação de destaque, principalmente pelo alto índice de morbidade entre os animais.

Conforme dito anteriormente, entre as doenças respiratórias que acometem os bovinos, as pneumonias são as mais frequentes e de maior gravidade, com quadros clínicos variando de crônicos até agudos e fatais.

Nessa espécie, as pneumonias de maior importância são as chamadas intersticiais e as broncopneumonias, sendo esta última responsável por 80% dos casos da doença, e uma das principais enfermidades presentes nos sistemas intensivos de criação e produção de bovinos em todo o mundo. Os dados norte-americanos mais recentes relatam um resultado de 75% de morbidade e 50% a 70% de mortalidade em confinamentos de gado de corte.

Etiologia:

Nos bovinos, a pneumonia possui etiologia multifatorial e parece ser precedida por um desequilíbrio na tríade de interação entre um ou mais agentes causais, o sistema de defesa do hospedeiro e fatores ligados ao ambiente e ao manejo.

Entre os fatores ambientais e de manejo que favorecem a ocorrência da enfermidade estão a superlotação, mistura de animais de diferentes idades e níveis imunológicos no mesmo lote, calor ou frio excessivo, elevada umidade relativa, instalações com ventilação deficiente, concentrações elevadas de poluentes e patógenos.

A doença é comumente iniciada por uma infecção viral primária e muitas vezes seguida por infecção bacteriana, resultando em pneumonia.

Dentre as espécies de bactérias comumente citadas, Pasteurella (Mannheimia) haemolytica, Pasteurella multocida, e Histophilus somni (antigamente Haemophilus sommus), são as mais preocupantes. Os agentes virais associados a doenças do trato respiratório em confinamentos incluem rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR), parainfluenza-3 (PI3), vírus da diarreia viral bovina (BVD), vírus respiratório sincicial bovino (BRSV), e corona vírus entérico de bovinos.

Sinais Clínicos:

Os sintomas podem variar desde leves sinais clínicos até a morte. Entretanto, DRB é frequentemente identificada por meio de depressão, perda de apetite, corrimento nasal e ocular, letargia, dificuldades respiratórias, febre, ou qualquer combinação destes.

Diagnóstico:

Além dos dados clínicos, destacam-se alguns exames complementares que podem auxiliar no diagnóstico e diferenciação dos processos pneumônicos. O hemograma fornece informações esclarecedoras e pode ajudar a determinar se a infecção é viral ou bacteriana. O exame parasitológico é indicado no diagnóstico de verminose pulmonar, e as técnicas de diagnóstico por imagem, por sua vez, auxiliam na avaliação da gravidade das lesões pulmonares, efusões pleurais e aderências.

Prevenção/Controle

Deve-se evitar a introdução de animais com problemas nos cascos ou provenientes de rebanhos com histórico de pododermatite. Construir pedilúvios nas entradas e saídas das instalações. Manter sempre os pedilúvios abastecidos com soluções antissépticas. Evitar o acesso e permanência dos animais em pastos e instalações excessivamente úmidas.

  • Reduzir os fatores de estresse e vacinar os animais contra vírus e bactérias que mais frequentemente provocam a doença.
  • Garantir rigorosa higiene ambiental e evitar fatores de risco e condições estressantes como manipulações desnecessárias dos animais e superpopulação;
  • Garantir que os recém-nascidos recebam o colostro nas primeiras horas de vida e que, em seguida, sejam separados dos demais animais;
  • Adequar as instalações de manejo e abrigo dos animais;
  • Separar os animais em pequenos grupos de acordo com a idade;
  • Favorecer a ventilação e remover dejetos das instalações, de modo a evitar umidade excessiva, temperatura fora da zona de conforto, correntes de ar e gases tóxicos;
  • Manter a regularidade na dieta e fornecer alimentos palatáveis e em quantidade suficiente para atender as exigências dos animais;
  • Identificar e isolar precocemente os animais doentes dos demais e monitorar o rebanho;
  • Por fim, ter cuidado especial ao se adquirir animais de outros rebanhos de modo a evitar a introdução de novas doenças na propriedade.

Tratamento

O tratamento vai depender da causa e etiologia da doença.

Nas bacterianas, o uso de antimicrobianos é de extrema importância, sendo os mais eficazes as quinolonas (Kinetomax®).

Na parasitária, o uso ivermectina (Baymec®) tem mostrado excelentes resultados.

Em casos mais graves e com comprometimento do estado geral do animal, devemos fazer um tratamento auxiliar com a utilização de soros, antipiréticos e antiinflamatórios (Flunamine®).

Fontes:

  • COUTINHO, A.S. Mannheimiose Pneumônica Experimentalmente Induzida em Bezerros pela Mannheimia (Pasteurella) Haemolytica A1- Cepa D153: Achados do exame físico, hemograma e swabs nasal e nasofaringeano. 2004. Tese (Doutorado)- Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia-Universidade Estado Paulista, Botucatu.
  • GAVA, A. Pasteurelose em bovinos em confinamento. Im:Encontro nacional de patologia veterinária, anais...1999.
  • Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF e Editora FAEF
  • RADOSTITS, O. M. et al. Clínica veterinária: Um tratado de doenças dos bovinos, ovino, suínos, caprinos e eqüinos. Rio de Janeiro: Guanabara/Koogan, 2002.
  • SMITH, B. Medicina Interna de grandes animais.2006

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